A MARRAR

Aprofunde-se então os efeitos do regime fascista e a acção de quem o combateu, e teremos, porventura, uma explicação mais aproximada da aversão do eleitorado aos apelos da extrema-direita. É que, passado quase meio século, continua a existir no país uma cultura anti-fascista. E, sobretudo, nunca esquecer que houve uma revolução cujos valores permanecem na memória dos portugueses. Na memória, e nas escolhas, porque não...

MST, especialista em tudo, que mete demasiadas vezes “a foice em seara alheia” (a terminologia é dele), deve ter-se esquecido que escreve para um semanário de referência. Esquece, com efeito, que a vacuidade de uma prosa entremeada de insultos não é exatamente o que os leitores esperam como informação e argumentação da parte de um “colunista”… ...

A plataforma de Bolsonaro, tal como as atitudes e orientações do candidato, são em geral descritas como iliberais. Todavia, tal classificação está em parte equivocada. É verdade que o candidato fez declarações explícitas a elogiar a ditadura militar e até alguns dos seus ilustres torturadores (como o coronel Carlos Brilhante Ustra), dizendo que a ditadura teve bons resultados, o seu maior problema foi não ter...

Se por essa Europa fora os povos vivem o choque da política pós-modernista - aquela que está transformada numa ficção com direitos de autor -, representando, por isso, um erro de paralaxe relativamente à realidade, é lícito ter-se a expectativa de que aqui, em Portugal, se tenha levado tão longe quanto a razão consegue alcançar, as lições do que se está a passar por...

Dentro de dias realiza-se no Brasil a segunda volta das eleições presidenciais, em que se apresenta um candidato, Jair Bolsonaro, que promove o elogio da tortura e da ditadura, que propõe a discriminação das mulheres e o desprezo pelos pobres, representando uma cultura de ódio. Contra ele, quem assina este apelo manifesta a sua solidariedade com a democracia e com os direitos sociais do povo...