Uma campanha do século passado

Uma campanha do século passado

O PSD em Lisboa, vai promover amanhã uma daquelas iniciativas de campanha que a comunicação social adora: a recriação da corrida entre o burro e o Ferrari.

Para além da iniciativa estar mal recriada (de facto, Costa, candidatava-se a Loures, e queria demonstrar o quão difícil era entrar de manhã na capital, e não o quão difícil é deslocar-se de carro no centro da capital), o que apetece dizer é que é uma iniciativa “tãããooo século 20…”.

Na altura – 1993 – estávamos no período que Cavaco chamaria os “anos dourados”. O eucalipto era o “petróleo verde”;  as privatizações e outras políticas e medidas económicas em curso, enriqueciam muita gente; e até Dias Loureiro e Duarte Lima eram políticos respeitados… O escândalo era, realmente, como é que um Ferrari poderia demorar mais tempo do que um burro a entrar em Lisboa.

A iniciativa de campanha que faz hoje sentido, quando se sabe que o tráfego automóvel intenso é uma doença grave das grandes cidades, é uma corrida da Cidade Universitária ao Saldanha, como propõe o PSD, mas entre um carro eléctrico, uma bicicleta e um peão que apanhe o metropolitano.

Talvez assim se tornasse claro que o carro eléctrico, apesar de menos poluente, ocupa tanto espaço e é tão ineficaz como o convencional, que uma das maiores dificuldades em andar de bicicleta em Lisboa é a quantidade de automóveis particulares a circular no espaço público, e que o Metro, o transporte público mais eficaz e menos poluente neste percurso, carece urgentemente de financiamento.

Bernardino Aranda
bernardino.aranda@gmail.com
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