Problemas com o músculo antifascista

Problemas com o músculo antifascista

Vou à página de abertura do site do Partido Socialista e não encontro uma menção sequer à situação política em França. Vou à do PCP, e deparo com o mesmo silêncio, à parte uma pequena notícia que apenas menciona «a luta do povo francês». Vou ao esquerda.net – o rosto mais comunicante do Bloco – e vejo apenas uma referência ao facto de Mélenchon ter dito que «votar Le Pen é um erro» e um artigo de Francisco Louçã cujo significativo título é «O escroque contra o fascista». Poderá argumentar-se que a realidade francesa não é a nossa, mas nem isso é verdade, pois existem muitos portugueses com dupla nacionalidade e o impacto do resultado do dia 7 na comunidade portuguesa em França será muito grande, particularmente se vencer a extrema-direita xenófoba. E que podem escutar o PS, o PCP e o Bloco. Por isso estes partidos têm o dever de tomar uma posição indicativa clara.

O que está em causa por estes dias, como tem sido mais que dito e redito, é tentar impedir a vitória da extrema-direita, apoiando na conjuntura o voto táctico. Mas nada disso acontece. Porquê? Receio de perder votos de emigrantes pró-Le Pen, que obviamente jamais votarão à esquerda? Pruridos com a intromissão nos assuntos internos de outros países, o que só vale para algumas situações? Desejo cego de alguns de dar cabo a todo o custo da União Europeia? Só consigo perceber isto por uma cegueira política muito grande e pelo receio de avalizar um político que não é «dos nossos». No entanto, uma tomada de posição clara pode ter sempre uma dimensão de distanciamento, que inibe esse fator. O que me parece, sinceramente, é que o músculo antifascista está com problemas de dinâmica. Logo agora, quando tanto precisamos dele.

(publicado originalmente no Facebook, aqui com alguns retoques)

Rui Bebiano
ruibebiano@gmail.com
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