Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa

Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa

Estará brevemente nas bancas, mais precisamente a partir de 10 de Fevereiro de 2017, o meu mais novo livro: Freire, André (2017), Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa, Lisboa, Contraponto. A obra conta com um prefácio do primeiro-ministro, António Costa, e está já em pré-venda na wook.

Conforme documentamos abundantemente neste livro, as soluções governativas do tipo governo de esquerdas, ou governo de esquerda plural, como outros preferem chamar -lhe, tornaram -se relativamente comuns na Europa Ocidental depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, e do colapso da União Soviética (URSS), em 1991. Em Portugal, porém, tal solução governativa (ao nível nacional) só chegou após as eleições legislativas de outubro de 2015, mais precisamente em 26 de novembro de 2015 (dia da tomada de posse do XXI Governo Constitucional), ou seja, cerca de vinte e seis anos depois da queda do Muro de Berlim.

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Fechando este parêntesis sobre o conceito de governos de esquerdas, ou governos arco-íris, que serão o foco central deste livro, uma primeira questão se coloca, em Portugal: porque é que, no nosso país, ao contrário de muitos outros países da Europa Ocidental, esta solução chegou tão tardiamente depois da queda do Muro de Berlim? E quais foram as causas desse atraso? E que fatores explicam a ocorrência desta solução governativa em finais de 2015? E, finalmente, que consequências terá para o funcionamento dos sistemas políticos democráticos a inclusão da esquerda radical na esfera governativa, quer em Portugal, quer na Europa? São estas as quatro questões fundamentais a que este livro procura dar resposta.

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Estas análises e argumentos são apresentados num livro estruturado em quatro partes. Nas Parte II e IV, o estudo baseia -se em versões revistas e atualizadas de parte de estudos académicos já publicados em português (retoma -se aqui, em versão revista e atualizada, uma pequena secção escrita por mim num livro em coautoria com Luke March em 2012, A Esquerda Radical em Portugal e na Europa.Marxismo, Mainstream ou Marginalidade, Porto, Quid Novi), ou em versões de textos recentes apresentados publicamente em inglês (André Freire, «The fall of the Berlin Wall 26 years later: the state of the left in Portugal, 2015 -2016», texto este que apresentei num seminário que teve lugar em Berlim entre 7 e 9 de julho de 2016, «The State of Affairs in Europe – Berlin Seminar», e organizado por Cornelia Hildebrandt, Berlin, Rosa Luxemburg Foundation – Transform2), sobre estes temas.

Mas nas Parte I (onze artigos publicados entre 2009 e 2013) e III (vinte artigos publicados entre 2014 e 2016) do livro as análises sobre esta questão baseiam -se em textos que publiquei regularmente no jornal Público sobre o tema, entre 2009 e 2016. Portanto, ao contrário dos textos das Partes II e IV, mais de carácter académico e analítico – sem se abdicar, naturalmente, de algumas orientações valorativas fundamentais, sempre presentes também nos estudos académicos em ciências sociais e políticas, como há muito explicou Max Weber (2005/1917) –, os textos das Partes I e III são simultaneamente baseados nos meus conhecimentos e estudos académicos sobre o tema, mas que, adicionalmente, exprimem as minhas posições cidadãs sobre o mesmo. Mais, na Parte I, o texto «Compromisso à Esquerda – Nota final à Imprensa», de 2009, exprimia a minha vontade e de outros amigos promotores (Alcides Santos, Ana Paula Fitas, Armandina Maia, Cipriano Justo, Fernando Vicente, Maria do Céu Guerra, Nuno David, Paulo Fidalgo, Paulo Jacinto, Ulisses Garrido), posteriormente coadjuvados por centenas de cidadãos anónimos (no manifesto submetido à subscrição pública via internet), na efetivação de um governo de esquerdas após as legislativas de 2009.

E, na Parte III, já depois de formado o novel governode esquerdas de 2015, no texto «Juntos, na esquerda plural», eu e outros 55 companheiros da comissão promotora (médicos, enfermeiros, dirigentes políticos, artistas, cientistas sociais e políticos, sindicalistas, etc.), apresentámos um apelo para um jantar comemorativo do novo governo de esquerdas, que acabou por reunir cerca de 200 a 250 pessoas na Casa do Alentejo em 12 de dezembro de 2015. Mais recentemente, em meados de outubro de 2016, criei junto com vários outros amigos e amigas o blogue «A Vaca Voadora» (ver http://avacavoadora.pt/), de apoio (e análise crítica) à solução política que sustenta o XXI Governo Constitucional, cujo manifesto foi publicado no Público de 13/11/2016. O dito manifesto (e os seus subscritores) é também reproduzido aqui como o último texto da Parte III. Os textos das Partes I e III dão, portanto, conta do meu empenhamento cívico nestes temas enquanto «intelectual público».

André Freire
andre.freire@meo.pt

Professor Associado com Agregação em Ciência Política. Foi diretor da Licenciatura em Ciência Política do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (2009-2015). É desde 2015 diretor do Doutoramento em Ciência Política do ISCTE-IUL. Investigador Sénior do CIES-IUL. Autor de numerosas publicações em livros e revistas académicas. Perito e consultor convidado de várias instituições nacionais e internacionais.

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