O nacionalismo não leva a lado nenhum!

O nacionalismo não leva a lado nenhum!

 

Xi Jinping, o presidente chinês e líder do partido comunista, proclamou o desejo da China em se tornar a força propulsora da globalização. A voz da imensa China ressoa em contraponto, pois, aos sectores dominantes do capitalismo, Donald Trump e Tories ingleses, por exemplo, que se tomaram de amores pelas barreiras fronteiriças depois de antes terem feito negócio à fartazana no quadro da globalização desregulada.

De forma emergente, a globalização permitiu a novos atores treparem na escadaria económica do planeta, aprenderem a fazer negócio tão bem ou melhor do que os antigos e conseguirem erguer-se da miséria enquanto os velhos senhores se atascaram numa profunda crise.

Épocas houve, é verdade, em que o mundo retrocedeu para níveis extremos de obscurantismo. É por isso admissível acontecerem retrocessos depois de antes se ter caminhado em frente. É muito duvidoso, porém, que a novíssima/velhíssima metamorfose do nacionalismo económico salve o capitalismo das suas pragas: taxa de lucro em declínio e estagnação secular.

O nacionalismo permitiu nos anos trinta do século XX alcançar a expansão dos negócios pela preparação para a guerra. Só que esse foi afinal um crescimento paradoxalmente orientado para a destruição de valor que quase levou o capitalismo à sua derrota terminal.

Percebe-se a cartada do nacionalismo: proteger os interesses dominantes da competição e atrair aliados nas temerosas camadas intermédias e nos excluídos da globalização que vagueiam nos centros do capitalismo, prometendo-lhes uma mirífica grandeza. Fazem-no, virando a casaca política, descartando antigas representações partidárias e promovendo novas, em rutura com o discurso neoliberal pois falam agora do regresso da protecção do Estado e do reforço das fronteiras contra a ameaça externa e os imigrantes. Tal como sucedeu nos anos trinta do século XX.

A globalização é, porém, incontornável e ninguém a pode parar. O que se trata é de a colocar no ponto certo da regulação para fazer aceder biliões aos proveitos da modernidade e permitir construir um mundo melhor.

Não se ignora que a globalização desregulada, representou e representa ainda, sob a hegemonia dos que agora se dizem nacionalistas, uma estridente manifestação de barbárie. Sabemos como as multinacionais incentivaram a sobre-exploração, semearam desemprego e fizeram retroceder direitos. E promoveram guerras punitivas contra os recalcitrantes em aceitar imposições rapaces.

A barbárie só pode ser conjurada com mais cooperação, por uma regulação inteligente das relações internacionais com prioridade às pessoas e aos seus direitos e que tenha em vista a integração de toda a população do globo nos benefícios da civilização. A doença nacionalista que hoje desponta tem de ser derrotada como aconteceu, de resto, nos anos 30 do século XX.

 

 

 

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Paulo Fidalgo
paulofidalgo@inbox.com

Actividade profissional: médico gastrenterologista. Posição anterior: Chefe de Serviço no IPO de Lisboa. Posição actual: gastrenterologista na Fundação Champalimaud. Actividade associativa desde a associação de estudantes de Medicina, Sindicato dos Médicos e Ordem dos Médicos. Acção política em movimentos de esquerda

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