O melhor de todos os sistemas de navegação é o nosso próprio cérebro

O melhor de todos os sistemas de navegação é o nosso próprio cérebro

Um dia, automóveis sem condutores levar-nos-ão em segurança a todo o lado e sem precisarmos de fazer qualquer esforço mental de navegação.

Não acredites. É um logro.

Um logro?

O melhor de todos os sistemas de navegação é o nosso próprio cérebro e os humanos são mais espertos do que as máquinas quando se trata de escolher um caminho. A memória espacial humana é notável.

Na Grécia antiga, os oradores visualizavam os seus discursos sob a forma de uma casa, colocando cada tema que iam abordar numa divisão e recuperando-os ao percorrer um trajecto imaginário dentro da casa.

É por isso que não queres estar dependente do GPS?

Ao contrário de um mapa, o GPS só fornece um mínimo de informação, sem o contexto espacial da área envolvente. Vemos o caminho de A até B, mas não vemos os marcos [uma bomba de gasolina, uma igreja, um supermercado] que surgem ao longo do caminho. Desenvolver um mapa cognitivo [cerebral] a partir de tão escassa informação é como tentar recuperar uma peça musical com base nalgumas notas de música.

E quando sabemos que não há ganho sem perda.

Na verdade, quando inventamos o elevador, perdemos as escadas. Claro que as escadas continuam a existir, mas tornam-se uma saída de emergência.

Por isso é que muitas vezes me pergunto: valerá a pena ganhar o GPS para transformar o nosso cérebro numa escada de emergência enferrujada? O nosso cérebro evita guardar informação desnecessária”, é aí que poderá residir a nossa atracção inconsciente pelo GPS, mas também significa que não estamos a fazer trabalhar o cérebro.

Deixar atrofiar a capacidade de gerar de mapas mentais provoca um declínio cognitivo.

Os taxistas de Londres, habituados a percorrer os milhares de ruas daquela cidade e grandes conhecedores da sua complexa geografia, tinham mais matéria cinzenta na parte posterior do hipocampo do que o resto da população. É o facto de ter de integrar e memorizar informação espacial que provoca – e bastante depressa – mudanças no hipocampo. Ou seja, não é, como também se poderia pensar, o facto de possuir à partida mais matéria cinzenta no hipocampo que faz os bons taxistas

Os nossos dotes inatos de orientação só se mantêm bem “oleados” se os utilizarmos assiduamente – caso contrário, começam a definhar. A navegação é uma competência que ou se usa, se treina, ou então se perde.

Carlos Fragateiro

PS: Construído a partir de frases retiradas de diferentes artigos e opiniões sobre os desafios do futuro

Carlos Fragateiro
carlos.fragateiro1@gmail.com
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