João Lobo Antunes

João Lobo Antunes

Seria imperdoável não se fazer neste sítio uma referência a João Lobo Antunes, embora esteja praticamente tudo dito sobre ele, porque  foi dito enquanto foi vivo. As póstumas palavras são quase sempre dispensáveis porque são excessivas, ou inacessíveis ao que havia para dizer. Contudo, tenha-se a opinião que se tiver de João Lobo Antunes, e presumo que ele reclamaria que se tivessem várias opiniões sobre si, o que aqui se quer sublinhar é principalmente o seu estatuto intelectual e a sua postura cívica.

A sua produção literária é demonstrativa de uma vasta cultura, em que nada lhe era estranho, fazendo as sínteses mais sofisticadas sobre os assuntos que despertavam o seu interesse. E no plano cívico, além de tudo o que é conhecido nos vários planos da vida social e política em que esteve presente ,  não quis deixar também  de intervir no ano em que a Ordem dos Médicos assinalou a passagem do 30 anos do Serviço Nacional de Saúde, em 2009. Foi uma altura para sublinhar de que lado sempre esteve, e foi inequívoca a valorização e indispensabilidade que fez desta criação do estado democrático.

Pessoalmente, fica-me a imagem da sua diplomacia e cordialidade quando, por volta de 2004, num almoço no Gondola, declinou o convite para se candidatar a bastonário da Ordem dos Médicos, sabendo que não teria qualquer dificuldade em ser eleito pelos seus pares.

Cipriano Justo
cjusto@netcabo.pt

Professor universitário, e especialista de saúde pública. Transmontano de Montalegre, com uma longa estadia em Moçambique, dirigente associativo da associação académica de Moçambique e da associação dos estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa. Várias publicações, entre as quais sete livros de poesia. Prémio Ricardo Jorge e Arnaldo Sampaio.

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