A RUMINAR

Não foi pela falta de alertas sucessivos que teve de se chegar a esta tomada de posição pública, denunciando a situação da saúde dos portugueses e do desempenho do SNS. Os vinte e cinco signatários preferiram ser eles, enquanto apoiantes dos acordos de 10 de Novembro de 2015, a tomar a iniciativa de lançar o alerta para o que se está a passar do que...

Sendo este o governo que de momento representa a circunstância política em que Portugal se encontra, então esse governo tem de estar à altura dessa circunstância, que é de grande exigência e rigor sociais. As explicações são todas admissíveis, tenham elas a razoabilidade que tiverem, sobretudo quando são dadas no rescaldo dos acontecimentos. De momento o que importa, para além de acudir às...

Aspira-se à habitação como peça social dinamizadora das comunidades locais. Se, como defende o poeta, uma casa é a coisa mais séria da vida é porque nela se produzem os mais significativos acontecimentos vitais e rituais da vida, se criam e desenvolvem laços sociais, se acolhe, de onde se parte, onde se chega. A habitação é fundamentalmente o lugar dos encontros protegidos. Daí...

Se é verdade que “rebeldia” e “precariedade” rimam com a condição juvenil talvez seja oportuno propor uma reflexão onde se questiona qual desses termos se mostra, hoje em dia, mais pertinente para definir a atual juventude. Por outras palavras, será pela irreverência e rebeldia ou antes pela capacidade adaptativa que o chamado “precariado” pode deixar a sua marca na sociedade? É essa a questão que...

É na avaliação dos resultados que a igualdade de oportunidades é confirmada e validada. Quem ficou pelo caminho, porque ficou pelo caminho, quando ficou pelo caminho, o que socialmente não se fez para se ter ficado pelo caminho? Portanto, para a segunda metade do seu mandato, que começa já com a elaboração do Orçamento do Estado para 2018, o governo tem esta agenda política...

No dia a seguir à sua tomada de posse, o presidente francês Emmanuel Macron deslocou-se a Berlim para conversar com Angela Merkel. Fez exactamente o mesmo que o seu antecessor de triste memória François Hollande havia feito cinco anos antes. E parece que com o mesmo propósito: relançar o eixo franco-germânico na base de uma viragem política por parte dos teutões. Vale a pena fazer...

Nós é um romance distópico, da autoria do escritor russo Yevgeny Zamyatin (1884-1937), lançado em 1924 quando a revolução bolchevique vivia ainda a fase, que se seguiu de imediato ao termo da guerra civil entre vermelhos, brancos e verdes, em que a criatividade literária, artística e científica era estimulada pelo governo revolucionário. Mas a obra de Zamyatin - exilado em 1905 pelo czarismo, e mais...

1 - O alívio das correntes democráticas que se opõem ao autoritarismo, à xenofobia e ao racismo foi grande com a derrota da candidata da extrema-direita. Devem excluir-se destas aqueles setores, supostamente de esquerda, manifestamente indiferentes a uma eventual vitória de Marine Le Pen. 2 - Cerca de um terço dos votantes confiou em Le Pen. Uma posição clara e atempada da candidatura de J.-L. Mélenchon teria por certo limitado os danos. Não pode esquecer-se que dois terços dos seus ativistas, em referendo interno, defenderam o voto branco ou nulo. E que um número razoável dos seus eleitores apoiou agora a extrema-direita. Dir-se-á, pois, que em votos efetivos, a extrema-direita rondará os 20%, o que corresponde à votação na primeira volta das presidenciais.

Para Norberto Bobbio, o sectarismo em política traduz-se na condescendência para com aqueles que partilham as mesmas ideias e num ódio declarado a todos os que não pensam da mesma forma. Os sectários entrincheiram-se num sistema de pensamento único, recusando tudo o que dele se afaste ou que lhes pareça fragilizá-lo. Fazem-no mesmo quando, por razões conjunturais, são forçados a dialogar com quem divergem em muitas das posições ou escolhas. Mas só cedem em último caso, quando não lhes resta alternativa. Levam então o seu sectarismo para recantos onde ainda o podem exercer: em círculos sociais restritos, partilhados por outras pessoas do mesmo grupo, ou então procurando, por omissão ou silêncio, sabotar as iniciativas que ponham em causa aquelas certezas das quais de facto jamais abdicaram.

Vou à página de abertura do site do Partido Socialista e não encontro uma menção sequer à situação política em França. Vou à do PCP, e deparo com o mesmo silêncio, à parte uma pequena notícia que apenas menciona «a luta do povo francês». Vou ao esquerda.net - o rosto mais comunicante do Bloco - e vejo apenas uma referência ao facto de Mélenchon ter...