Cá está uma “reforma estrutural”

Cá está uma “reforma estrutural”

Políticos, jornalistas e comentadores, sempre tão ávidos de “reformas estruturais”, têm hoje uma boa oportunidade de regozijo.
A passagem do capital e da tutela da CARRIS para o município de Lisboa, é uma autêntica revolução no panorama dos transportes públicos da capital.
As políticas de mobilidade, são hoje absolutamente centrais para o desenvolvimento, sustentabilidade e competitividade das grandes cidades. Colocar esta grande empresa de transporte público nas mãos da autarquia, de forma a esta poder geri-la, de forma integrada, com os outros dossiers da mobilidade (estacionamento, hierarquização das vias, faixas BUS, semáforos, etc., etc.) é uma medida inteligente, ambicionada há muito tempo pela esmagadora maioria daqueles que têm reflectido a cidade e em especial a importante temática dos transportes na cidade.
Relembre-se que a CARRIS foi “salva” in exterminis da privatização, quando da tomada de posse do novo Governo.
O PSD, que hoje uma vez mais se mostrou contra a municipalização da CARRIS, avisando que «as consequências financeiras da responsabilidade assumida serão demasiado pesadas para o município», preparava-se para entregar a CARRIS à AVANZA, um grupo económico privado, de capitais mexicanos, que iria ter na CARRIS e no METROPOLITANO as suas “jóias da coroa”, as “suas” primeiras empresas a operar numa capital de um país.
O contrato aguardava visto do Tribunal de Contas quando o novo Governo entrou em funções e reverteu o processo, estando actualmente a correr na Justiça um processo imposto pela empresa estrangeira contra a decisão.
Cá está uma reforma estrutural importante, a substituir outra, que também teria um enorme impacto estrutural, e que tinha sido engendrada pelo governo PSD-CDS.

Bernardino Aranda
bernardino.aranda@gmail.com
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